BREVE HISTÓRIA E IDENTIDADE DAS OBRAS MISSIONÁRIAS PONTIFÍCIAS
INTRODUÇÃO
Nestas breves linhas, pretendemos dar a conhecer a história das Obras Missionárias Pontificias. Muitas vezes nos deparamos com cristãos que nos perguntam sobre as obras missionárias e tem sido difícil dar respostas cabais. A denominação em si, cria não poucas vezes equívocos entre o povo de Deus. Porém nestas pequenas linhas queremos dar a conhecer a nossa breve História da fundação para permitir que todos e os interessados possam dissipar tais duvidas quiçá possamos ter alguma ideia e fazer com que todos possamos participar activamente nelas.
CONTEXTUALIZAÇÃO
As Obras Missionárias Pontifícias são uma rede mundial de oração e caridade pela missão evangelizadora da Igreja ao serviço do Santo Padre, expressão e fruto de um grande movimento de espiritualidade missionária ao interno do Povo de Deus. As OMP trabalham para uma maior consciência e zelo pela missão ad gentes de todos os batizados, através da oração, animação missionária, informação, formação, cooperação e sacrifício pessoal. Seu objetivo específico é de rezar e agir concretamente para sustentar a obra de evangelização e os missionários em todo o mundo. O Concilio Vaticano II afirma que sob o nome de Missões se abrigam duas actividades: Anúncio do Evangelho e a criação de novas Igrejas (AG 6). O carisma das Pontificias Obras situa-se na visão ampla da Missão Ad gentes e na relação entre a Igreja Local e Universal.
As Obras Missionarias Pontifícias são quatro:
As Obras Missionárias Pontificias estão ao serviço da Igreja e brindam a cada batizado a oportunidade de viver sua fé partilhando com todos e experimentando sua dimensão universal. A Oração, o Sacrifício e a Caridade são modalidades concretas que oferecem as Obras Pontificias Missionarias para viver uma fé missionaria e universal.
HISTÓRIA E FUNDAÇAO DAS OBRAS MISSIONARIAS PONTIFÍCIAS
A seguir desenvolveremos muito brevemente a história da fundação de cada Obra, seu respetivo fundador, objectivo e identidade. Embora não o façamos de modo linear.
I. HISTÓRIA E FUNDAÇÃO DA OBRA MISSIONÁRIA DE PROPAGAÇÃO DA FÉ
A obra da Missionária de Propagação da Fé foi fundada em 1822 por Paulina Jaricot, uma jovem Leiga Francesa que sabia das necessidades das Missões por meio do seu irmão que tinha sido Seminarista, quem se preparava para ir a China. Sua grande inspiração foi ter de criar um sistema de ajuda denominada “em rede” que manifestará a universalidade e a comunhão da Igreja toda que se tornou num episodio que revolucionou o modo de pensar dos cristãos. Paulina, é chamada mãe da “da Globalização da solidariedade” já em 1822 ela pensou de modo global e universal.
Paulina –Maria JARICOT (nascimento 1799)
Paulina – Maria JARICOT, nasceu em 22 de julho de 1799 numa família de classe alta de Lyon na França. Viveu uma infância influenciada por afeto e fé viva dos seus pais. Na sua adolescência, ela era bonita e elegante, deixando se seduzir pelas “ilusões do mundo”. Mas a jovem é testada por uma doença e por desaparecimento da sua mãe.
a) A CONVERSÃO DA PAULINA (1816)
Depois de ouvir uma homilia sobre a vaidade na Igreja de Saint- Nazier, em Lyon, passou por uma transformação interior que mudou radicalmente a sua vida: abandonou as suas joias, decidiu vestir-se com simplicidade, como as trabalhadoras, e começou a visitar e a servir os pobres. A sua conversão levou-a, no dia do natal de 1816, a fazer um voto privado de castidade, na capela de Notre–Dame de Fourvière.
“AMEI JESUS CRISTO MAIS DO QUE TUDO NA TERRA”
b) CRIAÇAO DE REDES MISSIONÁRIAS (1819)
Informada da má situação das missões no mundo, Paulina não se fez de rogada, decidiu dar a conhecer as suas necessidades e ajudá-las através da oração e da assistência material. Depois, aos 19 anos, “organizou a angariação de fundos para a missão” e inventou a primeira rede social missionária. Os doadores foram organizados, em “dezenas”, “centenas” de “secções”, para entrar em contacto com os missionários, doar e partilhar as noticias da missão, multiplicando assim os doadores. O sistema institucionalizou-se, com a criação da Obra da Propagação da Fé, em 1822 e rapidamente ganhou um alcance considerável em França, na Europa e depois em todo mundo.
c) O ROSÁRIO VIVO (1826)
Aos vinte e sete anos, Paulina teve uma nova intuição para fomentar a fé dos seus contemporâneos, ou seja, o Rosário vivo. Os seus membros rezam diariamente um mistério do Rosário e reúnem –se quinzenalmente numa comunhão espiritual. A oração do terço é uma prática que pretende contemplar Jesus através dos olhos de Maria. Hoje, há mais de 2.250.000 Associados do Rosário vivo em França. Após a morte de Paulina Jaricot, o Rosário vivo ainda continua activo e presente na maioria dos países.
d) A INSTALAÇÃO EM LORETO (1833)
As “Filhas de Maria”, uma comunidade de piedosas jovens mulheres, foi viver numa casa, a meio caminho da colina de Fourvière, a qual deram o nome de Loreto, em memória da casa da sagrada família. É um lugar de memória, oração e missão, que ainda hoje acolhe peregrinos e visitantes de todo mundo.
e) PRIMEIRA VIAGEM À ROMA (1835)
“FUI CRIADA PARA AMAR E AGIR. O MEU CLAUSTRO É O MUNDO”
Enferma, Paulina partiu para Roma onde foi recebida pelo Papa Gregório XVI, que a encorajou a trabalhar pela Evangelização e por uma vida de oração. Fez uma peregrinação a Mugnano, no sul de Itália, para se confiar à intercessão de Santa Filomena. Regressada a Lyon, mandou construir uma capela em honra da Santa.
f) NOSSA SENHORA DOS ANJOS (1845)
Durante a reforma dos Canuts (artesãos da seda) e os tumultos que abalaram Lyon no início dos anos 1830, Paulina, sensível à pobreza, rezou e ajudou os feridos, interpondo-se mesmo várias vezes entre os manifestantes e as tropas. Estava consciente de que eram necessárias melhores condições de trabalho, até como condição de evangelização. Por isso, deu bom uso à sua fortuna e angariou fundos para a criação de uma fabrica que respeitasse os direitos dos trabalhadores. Infelizmente, quando entregou a gestão da fabrica, o trabalho sofreu a medida que os empresários a defraudaram e a empresa foi a falência.
Ampliou ainda a capela de “Notre- Dame des Anges”, Nossa Senhora dos Anjos, em Rustrel, Vauclese.
g) A PAIXÃO DA PAULINA JARICOT (1862)
No final da sua vida, Paulina experimenta uma verdadeira paixão. Pede dinheiro em toda frança para poder pagar as pessoas que a tinham apoiado. Morreu na miséria total a 9 de janeiro de 1862. Porem, as obras por ela fundadas espalharam-se por todo o mundo. A sua vida prova veracidade das palavras de Jesus. “Se o grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, ele permanece só, mas se morrer, dá muito fruto” (Jo12,24).
h) INÍCIO DA CAUSA DE BEATIFICAÇAO (1926)
Em 1922, um século após a sua fundação, a obra da propagação da fé inspirada por Paulina, foi elevada, por Pio XI, ao grau de Obra Pontifícia, e estabeleceu a sua sede em Roma. Em 1926, o mesmo Papa prestou homenagem ao génio missionário de Paulina Jaricot e abriu o caminho à sua beatificação. Pela primeira vez, neste ano de 1926, no penúltimo domingo de Outubro, toda a Igreja começou a celebrar o Domingo da Missão Universal, ou mais conhecido por dia Mundial das Missões.
i) OS 3 PILARES DA VIDA DE PAULINA JARICOT (Oração, Partilha e Fé)
- ORAÇAO
Toda a fecundidade de vida de Paulina está ancorada na sua oração. O seu trabalho resume-se neste convite que ela nos continua a dirigir hoje: “une – te a esta missão: reza e ajuda as outras pessoas a rezar!”.
- PARTILHA
Paulina promoveu a partilha, angariando “dinheiro para as missões” um meio com o qual todos podemos apoiar a evangelização do mundo. se quiser também pode colaborar nesta missão fazendo a sua doação às Obras Missionarias Pontificias
- FÉ
Paulina tinha uma fé do tamanho do mundo. Ela disse: “Fui criada para amar e agir. O meu claustro é o mundo!” o Senhor chama-nos, também a nós, a sermos suas testemunhas e a anunciar o Evangelho a todos os povos.
Venerável Serva de Deus Paulina Jaricot, fundadora da Obra Pontifícia da Fé. Beatificada em Lyon – França a 22 de maio de 2022
2. IDENTIDADE E OBJECTIVO DA OBRA MISSIONÁRIA DE PROPAGAÇÃO DA FÉ
A Obra tem como objetivo formar uma consciência católica nos fiéis, capaz de conjugar uma docilidade plena ao Espírito, com a ação apostólica aberta à “mundialidade”. Concorre também para a preparação de animadores missionários específicos, que atuem nas Igrejas particulares (Dioceses), para uma participação mais adequada delas na missão universal. Está particularmente atenta à formação missionária dos jovens e à dimensão missionária da família. Entre os frutos mais admiráveis desta Obra, encontra-se a introdução do Dia Mundial das Missões (Redemptoris Missio, 81), de acordo com a Sagrada Congregação dos Ritos, em 14 de Abril de 1926, e foi estabelecido no penúltimo domingo do mês de Outubro.
A Obra da Propagação da Fé, consciente de que a evangelização é sobretudo uma ação do Espírito Santo, promove entre os fiéis, em primeiro lugar, a oração e o sacrifício pela missão (Cf. Redemptoris Missio, 78). Ela tem os seguintes objetivos:
a) formar todo o povo de Deus, para que tome consciência da sua vocação missionária universal (Cf. Ad Gentes, 35; Redemptoris Missio, 77);
b) informar os cristãos acerca da vida e das necessidades das Igrejas em territórios de missão, através do intercâmbio de notícias, da comparticipação de valores espirituais, de testemunhos de solidariedade nos momentos difíceis e o apoio moral e material nas adversidades (Cf. Redemptoris Missio, 83);
c) incrementar entre as Igrejas particulares a ajuda, quer espiritual, quer material, com especial atenção ao intercâmbio do pessoal apostólico com vista à evangelização de todo o mundo (Cf. Redemptoris Missio 84; Cooperatio Missionalis, 4);
d) promover as vocações missionárias ad gentes, em particular aquelas “para toda a vida” (Cf. Redemptoris Missio 79, 83, 84);
e) favorecer a educação, especialmente dos jovens, na justiça, através da informação e do conhecimento da doutrina social da Igreja, para os encorajar à ajuda e realizar uma sensibilização missionária que os leve à oferta de si mesmos à Missão: (Cf. Redemptoris Missio, 80, 83): com este fim, a Obra dispõe para eles de um ‘serviço missionário de jovens’;
f) promover a solidariedade económica, apelando à generosidade dos cristãos do mundo inteiro, com vista a elaborar um programa de justiça social e de assistência para prover, de forma regular, as necessidades essenciais de todas as Igrejas em territórios de missão. (Cf. Christus Dominus, 6; Ad Gentes, 38).
II. HISTÓRIA DA FUNDAÇAO DA OBRA MISSIONARIA DE SÃO PEDRO AOPÓSTOLO
Para os chamados “Territórios de Missão”, como o nosso, o Papa Inocêncio XI dizia: “desejo mais a ordenação de um padre nativo que a conversão de 50.000 pagãos”. E, o Papa Pio VI recomendava aos Vigários Apostólicos: “a abertura de Seminários é o vosso primeiro e o mais nobre Dever”. Leão XIII mandou gravar na medalha comemorativa da inauguração do seminário de Kandy, no Celão: “teus filhos ó índia, serão os ministros da tua salvação”. Bento XV expressa com tristeza: “é doloroso que existam regiões nas quais há séculos foi anunciada a fé cristã, contudo ainda não se encontra um clero nativo”. O espirito santo suscitou um profeta, uma mulher leiga–Joana Bigard – que com a sua mãe Estefânia, sentem a necessidade de formação do clero nativo, em terras de missão. “sentiram o chamamento de Deus, diz João Paulo II, e consagraram todos os seus bens, energias e as suas vidas na propagação do evangelho promovendo a formação de sacerdotes, homens e mulheres consagrados na vida religiosa”.
Joana e sua mãe com a graça de Deus assumiram com fé firme esta nobre missão. Movidas pelo evangelho, comunicam-se com o Padre Villion, grande missionário no Japão e, através deste, com o Dom Cousin, Bispo de Nagasaki, cuja comunidade era nova e antiga. Nova porque o Bispo acabava de congrega-la, antiga porque sua origem remontava a 250 anos, tempos de são Francisco Xavier. A fé foi sendo alimentada de pai para filhos durante estes anos. Agora reconhecida a liberdade religiosa, um Bispo os congregava. Foi organizado um pequeno Seminário com a capacidade para 50 alunos. No dia da inauguração apareceram mais alunos. O Bispo escreve uma carta para a Sra. Joana pedindo lhe uma ajuda para ampliar o seminário e manter os Seminaristas para não ter que dispensar essas vocações. No ano de 1922, Pio XI eleva esta Obra à condição de PONTIFÍCIA e, em 1925, nomeia santa Teresinha do Menino Jesus, a Padroeira do clero e das Missões.
Sobre a missão da Igreja; orações intensas e liturgias pela missão da Igreja e, o último, mas não menos importante, as coletas e doações.
Cada ano, no dia mundial das missões, que calha no penúltimo domingo do mês de outubro, o Papa escreve a toda Igreja católica do mundo, uma mensagem para refletir sobre a situação da Missão. Joana Bigard nasceu na cidade de Coutances, Normandia, aos 2 de dezembro de 1859. Aos 14 anos já demonstrava interesse em ingressar na vida religiosa. Em sua vida familiar passou por momentos muito trágicos: perdeu o pai, Charles Victor Bigard, quando tinha 19 anos e seu irmão, René, logo depois. Em meio a estas duas mortes, Joana com 23 anos de idade, decide consagrar a sua vida ao amor e à fidelidade de Jesus Cristo.
Joana abre-se ao universalismo, buscando ajudar a todos os Seminários em terra de missão. Mãe (Estefânia) e filha (Joana), iniciam peregrinações, de casa em casa e entre conhecidos e amigos, no sentido de conseguir ajuda material e espiritual para esta finalidade. Os trabalhos são desenvolvidos e, dessa forma, mãe e filha, fundam a Obra de São Pedro Apóstolo (1889).
Joana passou os últimos 25 anos de sua vida numa clínica psiquiátrica, onde faleceu, em 1903. Escreveu ela: “Deus me faz pagar caro a honra de ser chamada a “mãe dos sacerdotes”. “Os queridos seminaristas nunca saberão quanto isso me custou”.
2. IDENTIDADE E OBJECTIVOS DA OBRA MISSIONÁRIA PONTIFÍCIA DE SÃO PEDRO APÓSTOLO
Esta obra foi fundada para sensibilizar o povo cristão sobre o problema de formação do clero local nas Igrejas das missões. A obra convida a colaborar na formação dos candidatos ao sacerdócio por meio de uma ajuda espiritual e material. Os fundos obtidos com a fundação de bolsas, o pagamento de pensões, e outros donativos, possibilitam a construção e o desenvolvimento de muitos Seminários diocesanos menores e maiores. Desta forma, a obra contribuiu em grande parte a promoção do clero local. Esta obra continua desempenhando um papel muito importante. Nestes últimos tempos, a Obra de São Pedro Apostolo ampliou progressivamente os seus objectivos concedendo uma ajuda as casas de formação dos aspirantes de ambos os sexos à vida religiosa. A sensibilização do povo de Deus sobre a urgente necessidade de Presbíteros, Religiosos e Religiosas para a evangelização nas terras de Missão e em todo mundo e ajuda espiritual e material para a sua formação são os objectivos específicos desta Obra, no conjunto das quatro Obras Missionárias Pontifícias.
A informação e formação, a cooperação espiritual pelo meio do sacrifício foram a causa da motivação inicial da Joana e que ainda hoje, devem ser os elementos de consciencialização de todas as comunidades eclesiais. Experimentando o caminho que a Joana fez.
Ela dizia: “com imensa alegria a Igreja deve agradecer a Deus o Dom inestimável da vocação presbiteral que Ele concede a tantos jovens dos povos recém – evangelizados e convertidos a Cristo”. Cooperação económica: “não podemos permitir que nenhuma vocação se perca por falta de recursos”, disse João Paulo II. E os frutos aconteceram. Em 1918, nos 50 anos desta Obra, os padres nativos da África eram somente 90. Hoje entre diocesanos e religiosos ultrapassam 42.000 (2021). Há também padres africanos que estão a servir em outros países do mundo.
A Obra de São Pedro Apóstolo foi fundada, tendo em vista os seguintes objectivos:
a) utilizar os meios espirituais, especialmente a oração e o sacrifício, para obter do “Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9, 38);
b) sensibilizar o povo cristão para a necessidade do incremento das vocações e para a importância da formação do clero local nas Igrejas dos territórios de missão, a fim de o poder, em seguida, enviar a colaborar em outras Igrejas irmãs (Cf. Cooperatio Missionalis, 4);
c) contribuir para a promoção do clero nas Igrejas dos territórios de missão, utilizando também os fundos obtidos para a instituição de bolsas de estudo, o pagamento de pensões, as quotas e outras doações, de forma a tornar possível a edificação e o desenvolvimento de numerosos seminários maiores, propedêuticos e menores, diocesanos e inter-diocesanos;
d) ajudar na formação dos candidatos e das candidatas à vida consagrada nas Igrejas dos territórios de missão.
III. HISTÓRIA E FUNDAÇÃO OBRA MISSIONÁRIA PONTIFICIA DA INFANCIA E ADOLESCÊNCIA MISSIONÁRIA.
A obra reconhecida por ser a primeira iniciativa mundial dedica á atenção das Crianças, para além de que apresenta a particularidade de que as crianças não são simples receptor de ajuda, mas sobretudo autênticas protagonistas da ação missionária.
No domingo da Epifania se celebra a Jornada da Infância Missionária, para cultivar o espirito mutuo entre os pequenos de todo o mundo. A colecta desta Jornada ajuda muito a manter os projectos evangelizadores e assistência em favor das crianças dos territórios de Missão.
Carlos Augusto Maria de Forbin – Janson, nasceu em Paris a 3 de novembro de 1785 de uma família nobre do sul da França. Em 1805, antes de completar 20 anos, foi nomeado auditor do conselho de estado. Era um jovem muito competente e talentoso. Poderia aspirar a uma linda e ambiciosa carreira pelo mundo. Mas, sem hesitar, aos 23 anos largou tudo para ingressar no Seminário. Viu –se chamado ao sacerdócio numa época em que a situação da Igreja na França era, particularmente, delicada. O imperador francês estava numa luta aberta com o Papa. Foi ordenado sacerdote em 1811. No dia 24 de junho de 1824, aos 39 anos, Carlos de Forbin- janson foi nomeado Bispo de Nancy e primado de Lorena. Mas em 1830, por questões políticas teve de abandonar a Diocese. Possuía um grande ardor pela vocação missionária. Em colaboração com o padre de Rauzan, do clero diocesano, fundou a missão de França e percorreu todo o país fazendo pregações missionárias, sempre com muito zelo e talento. Um artigo publicado em Marsella sobre Forbin – Janson afirma: “zelo apostólico extraordinário, eloquência nas pregações, grande domínio da sagrada escritura. Homem de puro estilo missionário. A sua dedicação às pessoas era imensa, sem limites.
Como Sacerdote e Bispo, sempre se sentiu impulsionado pelos sinais dos tempos, inspirado por iniciativas em favor da actividade missionária da Igreja. Muito preocupado com as crianças, encontrou-se em Lyon (1843), com Paulina Jaricot (fundadora da Obra da Propagação da Fé) que apoiou plenamente no seu projecto de ajuda as crianças do mundo inteiro, através do lema: “crianças ajudam e evangelizam crianças”. O projecto cresceu e, a 19 de maio de 1843, a primeira direção da Obra, fixou os seguintes objectivos: salvar as crianças da morte e da miséria,
batizá-las e dar – lhes educação crista, prepará-las para serem apóstolos das crianças. No dia 3 de novembro, um ano após a fundação desta obra, morre Forbin – Janson. Em maio de 1845, a Obra da Infância Missionária estava organizada em 61 Dioceses da França somente esta obra teve o privilégio de ser fundada por um Bispo, e isto em parte, talvez explique o seu crescimento e expansão tao rápida, num espaço de tempo tao curto. O crescimento continuou não só em países de tradição católica, mas também em nações e territórios de Missão. Os primeiros padres nativos de Uganda, ordenados em 1913, foram membros desta obra, quando eram crianças.
2. IDENTIDADE E OBJECTIVO DA OBRA MISSIONARIA PONTIFICIAS DE INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Esta obra como afirma o Concilio Vaticano II, “tem a capacidade de infundir nos católicos, desde a infância, o sentido verdadeiramente universal e missionário” (AG38). “Esta obra é um serviço das Igrejas particulares (Dioceses) que trata de ajudar os educadores a despertar progressivamente nas crianças uma consciência missionária universal e a estimulá-las a partilhar a fé e os meios materiais com as crianças das regiões e das Igrejas mais necessitadas, despertando desde o inicio as vocações missionárias. As ofertas dos meninos (as) de todos os países contribuem para formar fundos de solidariedade que tem por finalidade ajudar as obras e a formação em favor dos meninos mais pobres”.
A obra tem uma função profundamente educativa; e adapta-se aos imperativos pedagógicos nos seus métodos de formação missionária e de disponibilidade à generosidade. Ao despertar a consciência missionaria das crianças, deverá adaptar-se à sua mentalidade, á sua idade, ao seu ambiente e as suas possibilidades. Embora tenha os seus próprios meios e estruturas de catequese, a “Obra tem que integrar-se sempre na pastoral de conjunto da educação cristã dando-lhe uma abertura missionaria” (Estatuto da infância missionaria)
Tendo presente estes objectivos, o Papa João Paulo II expressou de forma actualizada o seu espirito, na mensagem do ano internacional da criança, definindo a Obra da Infância Missionária como “uma verdadeira rede de solidariedade humana, espiritual entre as crianças dos antigos e novos continentes”.
A Obra presta um serviço às Igrejas particulares com os seguintes objetivos:
a) ajudar os educadores a despertar e desenvolver progressivamente nas crianças e adolescentes uma consciência missionária universal, para os orientar rumo a uma comunhão espiritual e intercâmbio material dos seus bens com os de outras Igrejas, especialmente as que têm mais dificuldades. Todos têm algo a dar e a receber e o lema deles é: crianças ajudam crianças (Cf. Cooperatio Missionalis, 4);
b) contribuir para a promoção e cultivo das vocações missionárias;
c) preparar animadores missionários que acompanhem as crianças na sua caminhada para uma consciência missionária mais madura. Isto processa-se mediante o envolvimento direto delas, nas formas existentes nos diversos países, de modo que as crianças se tornem os pequenos protagonistas da missão. Para este fim, devem-se implantar estruturas a nível local e regional, criando atividades adequadas a tal envolvimento.
a) FORMAÇÃO DE GRUPOS
Os grupos de Infância Missionaria são formados a pós uma considerada divulgação que é a Obra da Infância Missionaria e depois convidar as crianças para participar. Os grupos da Infância Missionária são formados por crianças. Elas imitam aos Apóstolos, a quem Jesus confiou a missão da evangelização até aos confins do mundo. Participam nos grupos crianças e pré-adolescentes dos 7 aos 14 anos. Devem gostar e mostrar interesse para concretizar as finalidades e objectivos dessa Obra. Cada grupo escolhe uma criança coordenadora que dirige os encontros, distribui as actividades com as outras crianças. O responsável (pessoa adulta que acompanha) prepara os encontros com a criança coordenadora. E como as crianças são capazes, elas mesmas coordenam os encontros semanais.
Esta é outra grande característica dos grupos da infância missionária: o exercício de seu protagonismo. Como bem diz o Papa João Paulo II: “as crianças são os pequenos grandes missionários”. O importante é chegarmos junto das crianças! Elas são capazes de evangelizar e possuem um enorme potencial. Nós, evangelizadores e evangelizadoras, devemos ir até as crianças, traze-las “para o meio”, como fez Jesus e aprender delas o caminho, o jeito… de evangelizar com o renovado ardor missionário. São as crianças que nos perguntam o que estamos a fazer sem elas? Que evangelização é esta que não se abre, cada vez mais à universalidade e à solidariedade? Abrir os horizontes, perceber com as crianças a universalidade da missão. Como fazer discípulos (as) para Jesus e construir um mundo mais justo e fraterno sem os preferidos de Jesus, as crianças? Como fazer uma Igreja missionária e sinodal sem as crianças?
Este é um trabalho prioritário e programado que cresce e se fortalece na integração das forças e recursos das Obras Missionarias Pontificias. A evangelização não será completa sem a presença e acção evangelizadora das crianças. Este é o grande compromisso da Igreja Missionária.
b) METODOLOGIA DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA MISSIONÁRIA
Para uma melhor compreensão da metodologia necessitamos olhar a pedagogia de Jesus. Jesus, primeiramente, mostrou na sua vida, a presença da misericórdia e do poder salvífico de Deus. Compreendeu cada um dos apóstolos, dos discípulos e discípulas na sua identidade e em circunstancias bem concretas. Acolheu, criou relações de amizade, ajudou, perdoou, consolou, fortaleceu, abençoou e serviu com todas as suas forças até oferecer a sua vida.
1º Jesus antes de tudo, se esforça para compreender a situação do ouvinte. Antes de falar faz –se amigo. Compreende a pessoa e procura conhecê-la, amá-la e ajuda-la nas suas dúvidas, necessidades e interrogações.
2º Jesus procura levar o seu ouvinte a descobrir uma nova realidade ou a interpreta essa realidade de uma nova maneira. Jesus parte para a experiência vivida. Ele quer a comunhão com os irmãos para que todos vivam em família, em comunidades. A sua pedagogia não termina com a pessoa isoladamente. É uma pedagogia para a missão cada pessoa torna-se discípulo de Jesus com o objectivo de “ire fazer discípulos (as)”.
3º Jesus quer a conversão, a mudança de atitudes para uma vida de alegria, jesus quer que todos descubram a alegria da boa nova do Reino. A descoberta de um tesouro provoca uma grande alegria, necessariamente, partilhada com todos irmãos e irmãs, amigos e amigas.
Esta metodologia, na infância missionarias, vai acontecendo nos encontros dos grupos de crianças. Os encontros são semanais e desenvolvem-se em 4 áreas, que correspondem as etapas ou áreas de formação missionária e do seguimento de Jesus. 1ª área: Catequese missionária – é a reflexão e o contacto directo com a palavra de Deus para que as crianças e pré-adolescentes amadureçam na fé e no conhecimento da pessoa, da vida e obra de Jesus, da Igreja e da Missão. As crianças aprendem os elementos básicos do ser Missionário. 2ª área: espiritualidade missionária – é o esforço de assimilar, viver e celebrar o que se aprendeu na catequese missionária. Todos procuram tornar-se parecidos com Jesus na vivência da Palavra, assumindo na vida o estilo de viver de Jesus: seus sentimentos, atitudes, opções… Existem muitas formas de realizar este encontro: oração, reflexões, retiros, celebrações da palavra, representação de passagens bíblicas, celebração da eucaristia, reflexões pessoais, entre outros. 3 ª área: Compromisso Missionário – quer procurar ações concretas. As crianças, os pré-adolescentes procuram colocar em prática o que aprenderam nas lições anteriores. É o serviço e o testemunho. É o encontro que leva a sair e evangelizar, comunicando o que foi aprendido e vivido. Leva a perceber as actividades das outras crianças pobres, abandonadas e excluídas, experimentando o mesmo amor e misericórdia de Jesus que acolheu as crianças e foi em busca da ovelha perdida. 4ª área: Vida de Grupo – é a concretização comunitária da palavra, testemunhando “a unidade para que o mundo creia” (Jo 17, 21). Trata-se de promover a comunhão, fortalecendo comunidades eclesiais vivas, dinâmicas e missionárias. Cria mais unidade, fraternidade e ajuda mutua. É crescer juntos como amigos de Jesus. É também o momento de rever a vida do grupo. Podem realizar-se diversos tipos de confraternizações, passeios, festas, jogos, concursos, celebração dos aniversários, festas litúrgicas…. Realizada a 4ª área, retoma-se a mesma dinâmica: Catequese Missionaria, Espiritualidade Missionaria, Compromisso Missionário e vida do grupo. E, assim sucessivamente.
As Obras Missionárias (Sociedades Missionárias), desde o início, avançaram por dois “binários” ou, melhor dizendo, por dois caminhos sempre paralelos e que, na sua simplicidade, sempre foram familiares ao coração do Povo de Deus: a oração e a caridade, sob a forma de esmola, que “livra da morte e purifica do pecado” (Congregação para a Evangelização dos Povos, Estatuto das Obras Missionárias Pontifícias (2005), Parte II, Normas, nº. 14
- Oração
Não há dúvidas de que a oração diária pelas missões é muito mais do que um ato piedoso. Tem um significado extraordinário e é precisamente o que infunde o espírito evangelizador à participação das crianças e adolescentes na Obra. As crianças se sentem unidas a Jesus pela fé. Nele e com Ele são reconhecidos filhos de Deus Pai e irmãos de todos os homens. Sua conexão com Cristo os tornou apaixonados pela missão que receberam do Pai. Querem colaborar com Ele na reunião de toda a humanidade em uma única família e para que o reino de Deus seja estabelecido na terra. Mas os “mais pequenos” sabem que a maioria das crianças do mundo ainda não conhece Jesus e que sua missão de reunir a família de Deus está longe de ser uma realidade. Elas também estão cientes de que o reino de Deus é rejeitado, o que produz muitas injustiças e sofrimentos em todos os lugares. As condições em que vive grande parte da humanidade não são típicas da dignidade humana. Muitos homens não sabem que são filhos de Deus e não se tratam como irmãos.
- Caridade
A Caridade é a segunda forma pela qual as crianças e adolescentes podem progredir no espírito missionário. De fato, para elas deve ser uma forma muito concreta de expressar seu grau de envolvimento na missão da Igreja e de exercer o amor fraterno em favor dos irmãos de terras distantes. Esta perspectiva deve ser trabalhada de forma permanente, porque, em torno da esmola, existe a tentação de reduzir o seu significado a uma simples colaboração econômica ou, se quisermos, a um mero gesto de solidariedade. Na verdade, para além do valor monetário da contribuição, caridade das crianças e dos adolescentes tem uma componente simbólica, quase sacramental. De certa forma, é uma extensão de sua oração, a forma de especificar e autenticar aqueles sentimentos de compaixão e fraternidade que cultivaram com Jesus e orientaram o Pai a agir providencialmente. Oferecem a sua pequena contribuição - os seus cinco pães e dois peixes - para que a Igreja os leve aonde for preciso, esperando a misericórdia divina para os multiplicar e ir ao encontro das necessidades dos seus irmãos. Assim, nascida dos desejos de fraternidade desenvolvidos na oração, a contribuição econômica é o meio concreto pelo qual as crianças e os adolescentes podem contribuir para que Deus reúna sua família ao redor de seu Filho Jesus.
A Igreja é “missionária por sua natureza” (Ad Gentes, 2): é tarefa da PUM tornar esta realidade atual e operante, especialmente entre as pessoas chamadas, por vocação, ao serviço da Igreja nos ministérios ordenados e na consagração religiosa e laical e entre os missionários leigos diretamente empenhados na missão universal (Cf. Cooperatio Missionalis, 4).
Esta Obra é considerada como a alma das outras Obras, porque as pessoas que a compõem são especialmente capazes de suscitar o espirito missionário nas comunidades cristãs e de incrementar a cooperação missionária. “A União Missionária do Clero deve ter em vista sobretudo a cultura missionária dos sacerdotes a fim de que, com o exemplo e a palavra, se interessem pela missão e possam iluminar o povo…” (Pe. Paulo Manna) “O número daqueles que ignoram Cristo e não fazem parte da Igreja está em continuo aumento. Mais ainda, quase duplicou, desde o final do Concilio. A favor dessa imensa humanidade, amada pelo Pai a ponto de lhe enviar o seu filho, é evidente a urgência da missão. Por outro lado, a época que vivemos oferece, neste campo, novas oportunidades à Igreja; a queda de ideologias e sistemas políticos opressivos, o aparecimento de um mundo mais unido; graças ao incremento das comunicações; a afirmação, cada vez mais frequente entre os povos, dos valores evangélicos que Jesus encarou na sua vida: paz, justiça, fraternidade, dedicação aos pequeninos, um tipo de desenvolvimento económico e técnico sem alma, que esta criando, em contrapartida, a necessidade da verdade sobre Deus, homem e o significado da vida.
V. BIOGRAFIA DO PADRE MANNA
Paulo Manna nasceu em Avellino a 16 de janeiro de 1872, é o quinto no conjunto de seis irmãos. Depois dos seus estudos primários e técnicos em Avellino e Nápoles, continuou os seus estudos em Roma. Enquanto cursava a filosofia na universidade Gregoriana, sentiu a chamada de Deus a vida Missionária e entrou no Seminário do Instituto de Missões Estrangeiras, em Milão, para estudar Teologia. Foi ordenado sacerdote no dia 19 de maio de 1894 na Catedral de Milão. Foi destinado pelos seus superiores a Birmânia, a actual Nyammar, onde partiu a 27 de setembro de 1895 para a missão de Taungoo. Apesar de estar condicionado por uma precária saúde, se bateu com uma dedicação incansável na evangelização e na promoção humana dos Carianos, em particular da tribo Ghekhú, sobre a qual mais tarde escreveu uma valiosa monografia. A fadiga das viagens, a malária e a aparição da tuberculose o obrigaram a regressar definitivamente a 7 de julho de 1907.
Já na Itália, o padre Paulo se dedicou plenamente a uma intensa e variada actividade de animação missionária, pondo ao serviço das pessoas as suas habilidades como um acentuado observador da realidade eclesial em todo o mundo, como conferencista, comunicador e escritor muito culto. “Toda a Igreja para todo o mundo” foi o seu lema. Em 1909 foi nomeado director da revista “Le Missioni Cattoliche”, que recebeu um novo impulso sob a sua guia experta e dinâmica. Publicou opúsculos, alguns livros e escreveu muitos artigos sobre os temas missionários que considerava mais importantes. Lançou varias iniciativas de cooperação missionária: adopção, bolsas, folhetos de orações para as missões… Fundou novas publicações periódicas, como “Propaganda missionaria” para as famílias, “Itália missionária” para os jovens e, mais tarde, “Venga tu Reino”, também para as famílias, especialmente as do sul.
Em 1915, o Padre Paulo Manna deu os primeiros passos para a fundação da União Missionária do Clero, hoje a Pontifícia União Missionaria, “a joia da sua vida”, como a definiria o Pio XII. Recebeu um apoio decisivo para realizar este projecto da parte do Mons. Guido Maria Conforti, o Bispo de Parma, fundador dos Missionários Xaverianos. Os estatutos da União, apresentados ao Papa pelo próprio Conforti, foram aprovados em 31 de outubro de 1916. Na encíclica Maximum illud (1919), Bento XV exaltou a União Missionária do Clero, expressando o desejo de que fosse “estabelecida em todas as Dioceses da Orbe católica”. A ideia básica era que se necessitava começar pelo clero para pôr a todo povo de Deus em estado de missão. O padre Paulo estava convencido de que “cada sacerdote, por natureza, por definição, é missionário”, mais constantemente necessita reviver a chama do clero apostólico no seu coração.
Em 1924 foi confiado uma nova responsabilidade, de superior geral no Instituto de Missões estrangeiras de Milão, que em 1926 se converteu no Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME) uma estancia unificada pelo Pio XI, com o Seminário Missionário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo de Roma. Nos 10 anos de governo, a Paixão missionária do Padre Manna se manifestou sobretudo em “conversações familiares”: cartas e meditações dirigidas aos irmãos da comunidade e publicadas no Boletim intitulado “IL Vincolo”, um instrumento de animação, informação e conexão entre os membros do PIME de todo o mundo.
Posteriormente todas estas cartas circulares foram recolhidas em livro intitulado “Virtudes Apostólicas”, textos que actualmente constituem um clássico da espiritualidade missionária.
Em 1934, tendo terminado o seu mandato como superior geral do Instituto, começou a seguir com muita dedicação outra obra, que mais tarde completará, por mandato da assembleia geral do PIME, seu sucessor afrente do instituto, Mons. Lorenzo Maria Balconi: a fundação das Missionarias da Imaculada (Milão, 8 de dezembro de 1936). Esta nova congregação feminina reconhece ao Padre Manna como o “inspirador” do seu próprio carisma missionário.
De 1937 a 1941, o Padre Manna foi secretário internacional da União Missionaria do Clero. Teceu uma rede de relações com os Núncios, os Bispos e os Sacerdotes de todo o mundo. Continuou escrevendo cartas, livros e artigos. Sendo ainda especialmente sensível aos problemas levantados pela divisão entre cristãos, se converteu em “profeta do ecumenismo”. Em 1941 publicou “Os irmãos separados e nós”, traduzido em varias línguas. A obra recebeu um grande apoio entre os cristãos não católicos, tanto no Oriente como no Ocidente, incluso quando os posicionamentos permaneciam distantes. Em 1950 escreveu “Nossas Igrejas e à propagação do Evangelho”. As ideias contidas nesta obra seriam retomadas depois pelo Pio XII na encíclica Fidei donum. O Padre Paulo Manna morreu em Nápoles a 15 de setembro de 1952 e seus restos mortais descansam em Ducenta. Foi beatificado por São João Paulo II em 4 de novembro de 2001.
VI. IDENTIDADE E EOBJECTIVO
Esta Obra visava, inicialmente, os padres. Pio XII a ampliou para Religiosos, Religiosas, Vida Contemplativa e também para aqueles que, de alguma forma, participam na formação e animação missionária das comunidades cristãs. É uma Obra que é Escola para a formação do espirito cristão para a vivência do Baptismo e do Crisma, consagração religiosa e presbiteral. Ela ajuda e completa a actividade das Obras Missionarias Pontificias, para que sejam todas, escolas de formação Missionária e cristã e “manter viva a vocação de toda a Igreja para a missão” (João Paulo II, no 75º aniversario de fundação, 1990).
Art. 20. O objetivo da PUM é a formação e a informação missionária dos sacerdotes, dos membros dos Institutos de vida consagrada e das Sociedades de vida apostólica, dos leigos consagrados, dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa em todas as suas formas, como também de todas as outras pessoas empenhadas no ministério pastoral da Igreja. A União dirige-se a todos os que são chamados a trabalhar para que o Povo de Deus seja animado por um espírito missionário e por uma grande sensibilidade no tocante à cooperação missionária. Da vitalidade da União Missionária Pontifícia depende, em grande parte, o sucesso das outras Obras, sendo ela “a alma das outras Obras Missionárias Pontifícias” (PAULO VI, Carta Apostólica Graves et Increscentes, 5 de setembro de 1966).
Podemos em resumo dizer que a União Missionaria se dirige a todos aqueles que são chamados a guiar e animar o povo de Deus. O resultado da actividade das outras Obras Missionarias Pontificias dependerá em grande medida da vitalidade da PUM, visto que deve –se sobretudo àqueles a quem ela se dirige a existência constante de um vivo espirito missionário nas comunidades cristãs.
A Obra visa igualmente promover a formação missionária dos Bispos, dos Sacerdotes, Religiosos/as e Agentes da Pastoral. A PUM, se propõe a oferecer uma adequada formação missionária aos que têm uma responsabilidade especial na animação missionária das comunidades cristãs. Também vela para que a informação missionária chegue a todos. Esta obra oferece fundamento espiritual e formativo das outras três Obras.
Sugestões concretas para atualização do carisma
1. Oração
1) A oração deveria assumir o papel principal nos esforços das POM e deveria ser sobretudo “oração pela missão da Igreja”. Trata-se da oração entendida como expressão da vida em comunhão com e em Deus nas suas várias dimensões, incluída aquela da oferta de sacrifícios cotidianos.
2) Esta oração pela missão poderá assumir diversas formas, segundo as situações e sensibilidades do lugar. Sejam promovidas, portanto, novas iniciativas de oração comunitária ou individual pelas diversas necessidades da obra de evangelização, bem como para expressar o concreto apoio recíproco entre as várias Igrejas locais. Além disso, como sinal de colaboração, se cuide de boas relações das POM com todas as formas de vida cristã que promovem a oração e a devoção de forma missionária, como por exemplo, os encontros de oração, os grupos de oração nas paróquias, os movimentos apostólicos, as comunidades religiosas, especialmente aquelas monásticas e contemplativas, os novos movimentos eclesiais.
3) É recomendável cultivar e difundir a devoção aos santos missionários e particularmente à Bem-Aventurada Virgem Maria, que é modelo de zelo missionário e venerada nas quatro Obras como Padroeira das missões e como “Estrela da Missão ou da Evangelização”. Nessa perspectiva, será necessário cuidar de uma estreita ligação com importantes Santuários locais, regionais e internacionais, bem como organizar peregrinações a esses Santuários, especialmente àqueles dedicados à Nossa Senhora.
4) O Dia Mundial das Missões deve ser um dia em que os três elementos sejam oferecidos de modo unitário: informação



